Aqui o diabo dentro de mim é livre para se soltar, para se revelar… sem medos… sem pudores… sem castrações. Aqui , caros leitores… aqui o diabo Quer, Pode e Manda!
O desafio partiu do Ulisses e como eu não sou capaz de lhe recusar nada, aqui ficam 6 segredos que os meus caros leitores desconheciam… até agora, claro está.
1. Possuo uma capacidade de disciplina que impressionaria Kim Jong-iI. Quando me predisponho a fazer determinada coisa, sou implacável a cumpri-la.
2. Sou bastante impaciente quando tento explicar algo a alguém e a pessoa não compreende de imediato. Definitivamente, nunca daria uma boa professora.
3. Sou completamente apaixonada por stilettos… mas isso já alguns de vocês saberão. Nada me faz sentir mais sensual do que uma mini saia/mini vestido e uns belos stilettos a acompanhar.
4.Tenho um pavor quase inexplicável de que falem mal de mim nas minhas costas. Gostava de ser indiferente a essa possibilidade mas simplesmente não consigo.
5. Sinto-me casa vez mais amedrontada que a vida passe por mim sem que eu a viva devidamente.
6. E porque não podia de deixar de revelar este, tendo em conta a pessoa que me desafiou, eu já tentei ler por 2 vezes o Ulisses de James Joyce sendo que a primeira leitura se revelou demasiado difícil – tinha 17 aninhos na altura - e acabei por tentar novamente… ainda não consegui terminar.
Crescemos a ouvir histórias como a Cinderela, a Branca de Neve ou até mesmo a Bela e o Monstro, em que o final era um e o mesmo: “E viveram felizes para sempre…”
Passamos a infância e a adolescência a sonhar com o nosso príncipe encantado que nos socorrerá nos piores momentos da nossa vida, romantizamos todas as intenções dos homens e acreditamos piamente que, com um breve sorriso nosso e alguma demonstração de uma timidez qb, eles se apaixonarão perdidamente por nós.
E é então que, normalmente de forma súbita num qualquer momento da nossa vida, nos apercebemos que afinal as coisas raramente terminam com um para sempre.
E é neste ponto que muitas de nós deixam de acreditar em contos de fadas.
Mas será que realmente os contos de fadas não existem?
Honestamente eu acredito que sim, que existem. Sou uma crente, o que se há-de fazer?!
Acredito, no entanto, que os contos de fadas, tal como tudo o resto na vida, também evoluíram para os tempos modernos. Os contos de fadas de hoje em dia já não se centram exclusivamente na procura de um príncipe que case connosco e nos leve para um imenso castelo para procriarmos como coelhos.
Hoje em dia nós próprias já construímos o nosso castelo. O nosso conto de fadas passa por sermos mulheres independentes e realizadas, com carreiras profissionais (seja em que sector for) bem sucedidas que na realidade já não precisam de ser socorridas de coisa nenhuma.
E quanto à parte romântica da coisa? Bom, hoje em dia já não é obrigatório viverem felizes para sempre. Hoje em dia é obrigatório, sim, estar com quem queremos porque queremos e enquanto nos sentirmos felizes. E isso sim é um verdadeiro conto de fadas. Não nos resignamos ao confinamento de um castelo, mas queremos percorrer o mundo e encher a nossa vida de experiências e recordações.
Hoje em dia o príncipe já não manda em nós, mas mandamos ambos nas nossas opções. Juntos escolhemos caminhos, juntos planeamos o futuro e juntos aprendemos a crescer. Viajamos, sorrimos, choramos lado a lado e amamo-nos sem quaisquer obrigações ou limitações. Podemos não prometer o para sempre, mas no aqui e agora damos tudo de nós sem restrições. Entregamo-nos de uma forma, como nenhum príncipe ou princesa o faria.
E prometemos viver felizes enquanto durar. E surpresa das surpresas… muitas vezes até dura para sempre.
Abriu a garrafa gelada da Vinha da Defesa. Preferia vinho tinto, mas a noite estava demasiado quente e precisava de refrescar-se. Reparou que ela apenas molhava os lábios quando lhes encostava o copo. Não falaram de si nem das suas vidas. Falaram de cinema e livros, tinham gostos semelhantes. Ela era uma boa companhia de conversa. Inteligente e pragmática, características que lhe agradavam. Não que fossem requisitos imprescindíveis, mas gostava de estar com mulheres que não fossem exclusivamente atraentes.
Ela caminhou para o terraço e ele ficou por momentos a saborear as formas dela. Vê-la de costas de calças de ganga justas deixou-o quase doido de impaciência. Bebeu o resto do vinho que tinha no copo de um trago e reabasteceu-se antes de a seguir.
Aproximou-se dela por trás e encostou-lhe o copo no braço desnudo. Ela soltou um gemido leve e ele sentiu a excitação apoderar-se do seu corpo. – uhm… sabe bem o toque gelado – disse-lhe quase num sussurro.
Ela voltou-se para ele e debaixo da luz fraca a sua expressão era quase enigmática, como se ali houvesse um qualquer segredo escondido que ele simplesmente não conseguia deslindar. Tentou ler-lhe os olhos, tentou decifrar-lhe os pensamentos inerentes ao seu inaudível pedido. Desejou saber mais, desejou conhecê-la... desejou algo que não queria, que não se permitia desejar.
Sofia levou o copo à boca mais uma vez e ele observou o movimento sem se mexer. A música leve e relaxante que tinha colocado a tocar ouvia-se em fundo e, muito suavemente, ela começou a mover o corpo no mesmo ritmo enquanto fechava os olhos e deixava cair a cabeça para trás. Reflexivamente Rafael pegou-lhe na cintura com uma mão e encostou ambos os corpos enquanto se entregavam numa dança sensual e suave ausente de quaisquer condições ou exigências. O perfume dela estava a inebriá-lo, os movimentos da sua cintura debaixo do seu toque toldavam-lhe o raciocínio, a música despertava-lhe os sentidos de uma forma quase exasperante.
Ela moldava-se contra ele e ele não lhe escondia a necessidade que ia crescendo dentro de si de a ter mais perto... muito mais perto.
Pousou o copo e levou a mão por trás do pescoço dela obrigando-a a olhar para si. Os olhos fundiram-se num reconhecimento de necessidades mútuas que não queriam, não podiam ser restringidas. Não precisaram de trocar quaisquer palavras, compreenderam-se de uma forma que o assustou por momentos.
Beijou-a de forma ávida e dominante. E ela entregou-se-lhe, numa oferenda total e ausente de qualquer timidez ou embaraço.
Continuando os movimentos de dança calma virou-se de costas contra si, Rafael beijou-lhe o pescoço e seguiu pelo ombro desviando a alça do top. Encurralou-a entre si e o beiral da varanda e fez-lhe sentir o desejo cada vez mais urgente.
As suas ancas provocavam-no sem misericórdia, ele desceu as mãos pelos contornos de Sofia e vagarosamente deixou-se saborear a ondulação do seu corpo.
Continuaram aquela dança magnética e inebriante e ela colocou as mãos por trás de si, entre os corpos de ambos, num requerimento à sua libertação. Rafael não se conseguia controlar muito mais – Quero-te Sofia! – disse-lhe num tom rouco e grave que não deixava dúvidas quanto à exigência que abarcava.
Voltou-a para si novamente e enquanto a beijava guiou-a para uma das espreguiçadeiras em verga que se encontravam no terraço, sem nunca se descolarem, deitou-a.
As respirações tornaram-se mais profundas, mais exigentes, mais ofegantes. A música continuava a tocar e eles deixaram-se levar no mesmo ritmo, calmo... sereno... saboreando os detalhes dos sons e dos movimentos. Ela movia-se de uma forma dolorosamente voluptuosa, dando-lhe a sentir cada parte do seu corpo quente, e os seus gemidos suaves diziam-lhe tudo aquilo que precisava ouvir.
Era o momento mais erótico que Rafael se recordava já ter tido e perguntou-se se também o seria para ela. Quebrou o beijo e procurou-lhe os olhos, enquanto as suas mãos a descobriam, e não tardou a perceber que ela partilhava das sensações que ele próprio sentia naquele preciso momento.
Ela arqueou as costas e lançou a cabeça para trás de uma forma que o levou praticamente à loucura. Envolveram os corpos numa necessidade contínua… fundiram-se no calor da noite e do momento enquanto se expunham reciprocamente… deixaram-se levar numa onda de prazer lasciva e imperativa.
Olharam-se nos olhos e explodiram ambos num frenesim de sensações que os assomou de uma forma reveladora e intensa.
Rafael abraçou-a, aninhado contra as costas dela, sem conseguir perceber muito bem o que tinha acabado de acontecer. Não conhecia esta mulher de lado nenhum e no entanto partilhara com ela uma intimidade que nunca partilhara com ninguém, nem mesmo com a ex-mulher.
Ao contrário do que acontecia normalmente, não quis que ela saísse no escuro da noite. Quis que ela ficasse ali com ele.
Pela primeira vez em muito tempo, não se sentia completamente só.
Digitara a carta com uma força e rapidez avassaladoras como se, agora que tinha em plena consciência aquilo que tinha de fazer, o não fazê-lo significasse o cessamento da própria vida.
Tudo o que até então acreditara ser a sua entidade não mais tinha relevância. Não queria que tivesse. Despertara da letargia em que se encontrava há demasiado tempo e somente agora sabia ser capaz de começar a viver.
Não queria e nem iria permanecer mais preso a um passado que não era o seu.
Dobrou minuciosamente a carta em três partes iguais, como se de uma formalidade se tratasse, e colocou-a sobre a mesa. Não queria lidar com mais ninguém neste momento e saberia que em breve teria de ouvir todas as advertências e conselhos que não pediria.
Mas desta vez o seu presente, o seu futuro, não seriam ditados num jogo cujas regras lhe eram infligidas de forma demasiado penosa para que pudesse suportar.
Inspirou profundamente o ar gélido daquele final de tarde, como se agora sentisse todos os detalhes de uma vida não disfrutada de forma dolorosamente acutilante e libertadoramente real.
Quase sentia na língua o sabor daquilo que seria de ora em diante.
Esperou. Pacientemente, como se tivesse todo o tempo do mundo. As horas passaram, e ele permaneceu ali, sentado, num estado de calmaria que não reconhecia.
A porta abriu-se vagarosamente, como se ela adivinhasse a intempérie que a sua vida estava prestes a sofrer. Ela sabia. Ele sabia que ela sabia.
Ela olhou para ele com uma graveza tal no olhar que quase o levou a desistir da sua corajosa e tão ansiada decisão. Quase…
- Não esperava que já estivesses em casa. – As mãos dela libertavam-se, de forma demasiado lenta e ponderada, da mala e casaco.
- Não fui trabalhar hoje.
Rasgava-se-lhe a alma pelo que estava prestes a fazer. Sentiu-se sucumbir num redemoinho de emoções e sentimentos que lhe toldavam o raciocínio e a razão.
Apetecia-lhe gritar para que todos ouvissem que era aqui. Agora! Não mais!
Inspirou fundo e levantou-se. Apesar da urgência para levar a cabo o que se predispusera a fazer, sentia-se estranhamente calmo.
A luz guiava-o, a clareza do caminho a seguir era demasiado presente para que pudesse ser ignorada. Agora sabia-o.
Quando (re)comecei este blog, fi-lo com uma ideia em mente: dar asas à imaginação, partilhar os meus “outros mundos” sem restrições ou acondicionamentos. E o anonimato que estabeleci está a revelar-se, sem dúvida alguma, um bálsamo para alma.
No percurso, ainda curto, da elaboração deste meu espaço tenho-me cruzado com outros bloggers que me surpreenderam de forma extremamente positiva pelos seus conteúdos, escrita e visão e ao mesmo tempo por me darem o prazer de apreciarem aquilo que escrevo.
Um blogger em particular é o Ulisses. Desengane-se quem pensa, ao entrar no mundo Luxúria deste blogger, irá encontrar coisas menos próprias. O que se encontra por lá é uma escrita sublime, repleta de sensualidade e erotismo que nos marca e nos deixa a ansiar por mais.
E eis que o Ulisses me propôs um desafio deveras interessante que não hesitei em aceitar. O desafio consiste em desenvolver uma história alternadamente em que nenhum de nós sabe o que acontecerá a seguir. As únicas regras é deixar fluir as palavras numa escrita sem grilhões dando sempre continuação ao capitulo escrito anteriormente.
Nenhum de nós sabe o que resultará desta parceria, mas adivinha-se qualquer coisa de entusiasmante e acima de tudo divertido.
A história será publicada alternadamente nos dois blogs e o prólogo já foi feito pelo autor da sugestão. Quem estiver interessado em acompanhar a viagem poderá consultar aqui.
Existe um determinado local, mais precisamente uma espécie de cruzamento com semáforos, onde passo todos os dias de carro a caminho do emprego.
Ora, eu entro nessa via fazendo uma curva à esquerda. Acontece que aquele semáforo tem muitos peões que desejam atravessar e o problema reside no facto de que, talvez devido à extrema vontade de chegarem aos respectivos locais de trabalho, os ditos peões colocam-se precisamente na curva e no limite do passeio – assim como que, quase… quase na estrada.
Uma vez que a via tem 2 faixas, é-me difícil fazer a curva mais larga, e portanto ou me mando para cima do carro à direita, ou passo por cima dos pés daquela malta atrevida.
Adivinhem lá qual é a opção que o diabo dentro de mim escolhe?
Na última semana vários foram os impulsos que o levaram a pegar no telemóvel para lhe ligar. Ela não lhe saía da cabeça, sabia que aquela sensação desapareceria depois de provar o fruto desconhecido, mas não queria ser demasiado precipitado. Sabia bem o que procurava, um pouco de divertimento e gozo mas não mais do que isso. Bastara-lhe um casamento fracassado pela fraqueza da traição e não estava disposto a que deixar que voltasse a repetir-se.
E no entanto os sonhos com aquelas curvas secretas passaram a ser uma constante, quer estivesse ou não a dormir. A imaginação soltava-se de si sem que conseguisse travá-la, a necessidade crescia-lhe e sabia que era urgente saciá-la.
Voltou a colocar o telemóvel no bolso, pegou na pasta e dirigiu-se à sala de reuniões. Hoje era um daqueles dias em que lhe apetecia tudo menos passar uma tarde inteira a escrutinar os temas do momento, entrando em espirais de ideias absurdas que não levariam a conclusões algumas. Tomou o seu lugar no topo da mesa oval, recostou-se na cadeira e viu os vários intervenientes ocuparem os seus lugares. Iria ser uma tarde longa.
Suspeitou, sem saber bem porquê, quando viu o homem grisalho entrar. Ela entrou logo de seguida. Talvez afinal a tarde se viesse a revelar bem mais agradável do que previa.
Envergava um tailleur de saia, cinza acetinado, com uma camisa preta que lhe dava um ar autoritário e demasiado atraente. Trazia o cabelo apanhado num rabo-de-cavalo e óculos de massa preta. Percorreu-lhe as linhas discretamente, era uma mulher extremamente elegante e mais alta do que o normal. Calçava uns sapatos de salto alto pretos envernizados, um pormenor que não lhe escapou dado o sublime atrevimento que denotavam.
Durante as horas que se seguiram observou-a a falar. Era firme e assertiva, e não fosse pelo movimento com a caneta que talvez mais ninguém tivesse notado, não lhe perceberia o nervosismo. Por algumas vezes os seus olhos cruzaram-se, numa dança sensual e invisível para os demais.
O sol já se tinha começado a pôr quando a reunião terminou. Queria falar-lhe, convidá-la para jantar, mas fora apanhado por um dos colegas e ela saíra antes que o pudesse ter feito. Isso irritara-o de forma particular.
Descobriu-a minutos depois sentada no seu gabinete. Esperava por si.
Sem frases complexas ou discursos justificativos, sorriu-lhe. Ficou surpreendido mas agradado pela audácia dela. Claramente era uma mulher decidida que sabia o que queria. Tal como ele.
– Conheço um restaurante de Sushi no Guincho, tens fome? – Disse-lhe ela.
– Quatro ou duas rodas? – respondeu-lhe.
Acertou na escolha, mas por algum motivo também não duvidava qual fosse. Ela quis passar em casa para mudar de roupa e deixar o carro. Não o convidou a subir.
Seguiram de mota com ela abraçada à sua cintura. Conseguia sentir o corpo dela colado às suas costas e levado por aquele contacto erótico e sensual deixou a mota seguir a uma velocidade calma, queria prolongar a sensação de proximidade.
Conversaram e riram, enquanto saboreavam o sushi à beira mar. De calças de ganga e um top preto simples, já não tinha a imagem de executiva, mas a pose intimidante continuava lá.
Não se iludia com ela. Era demasiado óbvio o seu estatuto para que se pudesse iludir. E ela era uma mulher que sabia como seduzir um homem. Qualquer homem. E ele deixar-se-ia seduzir por ela, queria-o, precisava que ela o seduzisse. Hoje precisava disso.
Esta noite não iria sozinho para casa… esta noite, ela acompanhá-lo-ia…
Tentamos criar barreiras, tentamos ser imunes, tentamos ignorar.
Mas nem sempre conseguimos ser isentos a sentir.
É inevitável que nos sintamos afectados por determinados eventos que nos rodeiam, que nos sintamos afectados ante determinadas atitudes de pessoas que, apesar de até esperarmos não mais que isso, nos fazem sentir incomodados continuamente. Seja por aquilo que fazem ou dizem, seja pelo que fica por fazer ou dizer.
E é uma constante batalha a que travamos para podermos elevar-nos acima de tudo isso. É a luta para criar barreiras, ser imune e ignorar as desfeitas dos demais.
Mas dias há em que tudo é abalado e a vulnerabilidade assume o controlo sobre nós. Deixamo-nos ir pela espiral de sentimentos menos nobres e cedemos às divagações intransigentes do nosso pensamento. E por breves momentos cedemos à tentação de deixarmos de ser quem somos para passarmos a ser alguém que não queremos reconhecer.
Resta-nos pois, esperar que as barreiras se ergam novamente protegendo-nos de todo esse mundo alheio à nossa própria consternação.