Primo Moduli

Por motivos logísticos, hoje não me será possível postar o próximo capitulo do Primo Moduli.

Desde já as minhas desculpas.

Never knowing your name...

Todos os dias se cruzavam naquela pastelaria e trocavam olhares discretos mas nada tímidos. Ela sentava-se sempre no mesmo local e pedia uma meia de leite e um croissant, ele sentava-se na mesa oposta e pedia um café e um pastel de nata. Aprenderam a conhecer-se sem sequer trocarem palavras.

Ele lia o jornal enquanto ela se entregava a um qualquer livro, ele comia o pastel de nata com a colher do café e ela colocava dois pacotes de açúcar na bebida quente.
Não trocavam sorrisos, não trocavam palavras nenhumas, eram 2 estranhos completos.

Excepto no momento em que os olhares se cruzavam. Ambos percebiam a fome de cada um. Ambos desejavam saciá-la, mas nenhum deles se aventurava ou se atrevia a tal. Nenhum deles sabia exactamente o que os prendia, pois tinham a plena certeza que o que quer que houvesse ali era reciproco. Mas algo os retia.

Naquele dia ela surpreendeu-o e, ao invés do seu pedido habitual, pediu um café e um pastel de nata. Ele respondeu-lhe da mesma forma e saboreou o croissant e a meia de leite enquanto a observava a deliciar-se, lentamente, colher após colher, com o creme do bolo. Nem por um segundo desviaram os olhares.

Quando terminou, ela levantou-se e saiu. Ele seguiu-a.
Mas algures na multidão perdeu-a. Tentou procurar entre os corpos que se moviam apressadamente, mas apercebeu-se que nem sequer tinha fixado o que ela trazia vestido.
Ela olhou para trás mas não o viu e, por um ínfimo segundo, pensou em voltar atrás para se aventurar. Mas voltou-se novamente e continuou o seu rumo.

Nunca mais voltaram àquela pastelaria.

Por terras alheias

Encontros Casuais - Part IX



Uma parte de si dizia-lhe que não merecia o esforço. Uma outra, com muito mais peso, incitava-o a ir.


Queria estar com ela contra todo o bom senso que julgara ter. Afinal, ela estava com outra pessoa. Estaria mesmo? Ou seria apenas um amigo?... Pois, um amigo. Nenhum homem se contentaria em ser apenas amigo de Sofia.
Mas a escolha estava do lado dela. Pedira-lhe desculpas e se ela optava por não as aceitar era um problema seu. De qualquer forma nada daquilo fazia sentido para ele. Porque raio estava obcecado por uma mulher? Mulheres não lhe faltavam e se havia coisa que Rafael não procurava e não queria, de todo, era prender-se numa relação com alguém.

Infelizmente a lógica e o bom senso resolveram abandoná-lo naquela noite e, num acto irreflectido, Rafael correu atrás dela.
Apanhou-a no momento em que estava prestes a entrar no carro.
- Sei que fiz merda, mas dá-me uma oportunidade. Não entres no carro.
Sentiu-a inspirar fundo e pensou que o ia descartar mais uma vez. Em vez disso, largou a porta do carro e falou para o homem que se encontrava do outro lado.
- André, eu fico, vai sem mim.
- Tens a certeza?
- Sim, não te preocupes que fico bem.
Sofia voltou-se para Rafael enquanto o tipo entrava no carro.
- Onde tens o carro?
- Por aqui. – Disse enquanto a guiava para o lado oposto ao que se encontravam.

Não trocaram qualquer palavra e Rafael conduziu o carro até ao guincho. Estacionou na escuridão em frente ao mar. Assim que desligou o motor, Sofia desapertou ambos os cintos de segurança e inclinou-se para ele.

Rafael sentiu um desejo louco de se meter dentro dela e, erguendo a mão para o seu pescoço, puxou-lhe a boca contra a sua. Beijou-a sofregamente e à medida que o beijo se tornou mais apressado Sofia transferiu o seu corpo de forma a ficar sentada por cima dele.
Rafael sentia uma necessidade voraz de fazer amor com ela. Todo o seu corpo, todo o seu ser gritavam para que a tomasse de forma inquestionável. Era quase como se não conseguisse controlar aquilo que sentia, como se um lado menos correcto de si estivesse a ganhar poder sobre as suas acções.
Queria parar, queria pensar no porquê de se sentir tão descontrolado e fora de si quando estava com ela. Mas não conseguia parar… não queria sequer pensar em parar agora.
Olhou para o rosto dela, Sofia inclinava a cabeça para trás e fechava os olhos, e por um breve momento sentiu-se angustiado. Beijou-lhe a base do pescoço e deixou-se perder na pele suave e quente dela.
Os corpos ansiavam com premência, Sofia encostou o rosto ao dele e sussurrou-lhe ao ouvido o seu nome. Quase perdeu o controlo, tomou-a de forma dominante, agarrou-a ainda mais contra si e guiou-os a ambos num trajecto cujo rumo era a loucura e a insanidade… e ele sentia-se louco… insano… perdido…

Sentiu-a perder-se no limbo do inconsciente e seguiu-a sem, também ele, poder esperar mais.

Abraçaram-se sem dizer uma palavra. Não precisavam de o fazer, compreendiam-se de uma forma total através daquele diálogo.

E com tanta força como com a que a desejava, sentiu o medo instalar-se-lhe no peito.

Primo Moduli - Capitulo 9

(continuação daqui)

Abriu os olhos e tentou lembrar-se de onde estava. Sentiu os braços dele por cima de si e de súbito todas as memórias, ainda frescas, do que se tinha passado há momentos atrás vieram-lhe à mente.
Levantou-se do sofá, com muito cuidado para não o acordar, e dirigiu-se à casa de banho. Tentou não tropeçar em nada na escuridão e rapidamente entrou na divisão. Fechou a porta ao mesmo tempo que acendia a luz e abriu a torneira do lavatório. Passou água fria no rosto para tentar despertar. Não sabia que horas seriam mas ainda era escuro.
Deu por si a olhar-se ao espelho e pensou no que tinha acontecido na sua vida nas últimas horas. Acordara nessa manhã da mesma forma que acordava há tantas outras durante anos da sua vida. O dia tinha decorrido nos trâmites regulares que ditavam a ordem de todos os seus dias, sem excepções. Mas no final de tarde, ao voltar para a casa que tanta felicidade sempre lhe dera, viu a sua vida ser voltada do avesso ao deparar-se com um marido que, afinal, já não a amava.

Sentira-se humilhada, rejeitada e desprezada. E o que fizera ela? Correra para os braços de um homem, do único homem, para o qual não deveria ter corrido. E tinha-se sentido mulher. Amada ao invés de desprezada, querida ao invés de rejeitada e acarinhada ao invés de humilhada.

Mas agora olhava para o seu reflexo e tentava agarrar-se a esses momentos. Não conseguia.
Apesar da paixão quente e do apaziguamento da sua mágoa sentia que tinha cometido um erro. Era o marido que a rejeitara que ela continuava a amar.

Deixou-se cair no chão quando esta súbita certeza tomou posse do seu raciocínio. Apetecia-lhe chorar e gritar, mas não fez nem uma coisa nem outra.
Afinal a culpa, ainda que mais tarde do que imaginara, sempre chegara. E essa culpa começava a contorcer-se dentro de si. Jorge acusara-a injustamente de ter um amante, mas agora já não seria injustamente. Agora ela tinha-o realmente traído com outro homem. Pior do que isso, ela tinha-o traído com o melhor amigo.

Subitamente ergueu-se do chão. Não podia permanecer ali, tinha de se ir embora. Tinha-se deixado cometer um erro que jamais poderia ser revertido mas não iria cometer outro maior e tornar-se amante dele.

Saiu da casa de banho e dirigiu-se à sala o mais quietamente que conseguiu. Pegou nas suas roupas e na mala, arranjou-se o melhor que pode sem o acordar e, sem sequer pensar duas vezes, saiu do apartamento. Desceu as escadas a correr como se pudesse fugir do que se passara nessa noite. Sabia bem que não podia, que jamais conseguiria.

Entrou no carro e finalmente as lágrimas começaram a rolar-lhe pelo rosto. Sentia-se presa, angustiada. Só tinha um único pensamento em mente que a acalmava.

Tinha de ligar a Jorge…

(Continua... Aqui)


(Uma parceria by Louise & Ulisses)

*Pic by Deviantart

Falsos sermões, não!

Crescemos a aprender valores como responsabilidade e carácter. Ensinam-nos que devemos assumir, sem rodeios, os nossos erros e ser frontais em relação às consequências. Não há nada pior do que alguém a tentar relegar as suas quotas de culpa para cima de outro alguém e não assumir de forma directa e correcta que cometeu um erro, porque afinal de contas somos humanos e todos erramos pelas mais variadas razões.

E eu sou assim, eu assumo tudo aquilo que faço. Talvez até assuma mais prontamente os erros do que as façanhas.

Agora, se há coisa que detesto é que se armem em falsos pregadores comigo. Detesto pseudolíderes com discursos clichés – ainda para mais repetidos – cuja intenção é unicamente parecerem algo que, por muito que tentem, nunca o serão.

E até acredito que há quem compre essa venda dissimulada. Eu não compro!

Preocupações


Por vezes desejamos tanto uma coisa que, quase, nos sentimos sufocados pela necessidade de alcançar essa mesma coisa. E quando é algo que foge do nosso próprio controlo tentamos mentalizar-nos de que de nada nos vale atormentarmo-nos com sentimentos de ansiedade. Pensamos que o mais sensato é esvaziarmos a nossa mente em relação a esse tópico, e esperarmos que essa algo aconteça.
Mas, invariavelmente, acabamos por não conseguir alhear-nos tanto como desejaríamos e acabamos por divagar indefinidamente no tema.


E é assim que, neste momento, ando. Tento alhear-me, tento ser sensata e forçar-me a ser lógica e racional, mas acabo sempre por ser mais sentimentalista do que gostaria.






*Pic by Deviantart

Encontros Casuais - Part VIII



Sentia a batida da música dentro do peito e deu por si a abanar o próprio corpo enquanto a observava. Apesar das luzes intercaladas conseguiu perceber que estava acompanhada por alguém, um outro homem. Sentiu um rasgo de ciúme completamente irracional perante a ideia de que ela pudesse sair dali acompanhada por outro que não por ele.


Ela movimentava-se de forma provocante ao ritmo da música que os envolvia, mexendo os ombros e o torso de forma instigadora. O mini vestido que trazia permitia adivinhar o que estava escondido, conseguia perceber-lhe os contornos dos seios redondos e imaginou-se a retirar-lhe o tecido que os tapava. Sentiu a boca ficar seca.
Ficou a observá-la e, ao fim de uns minutos, foi com agrado que viu a companhia abandoná-la em direcção ao bar.
Sofia continuava a dança desconcertante e ele sentia-se a entrar em êxtase perante a visão que ela lhe estava a proporcionar. Sem que esperasse, os olhos dela encontraram os seus e a expressão que fez provocaram-lhe um arrepio na espinha.
Sem sequer pensar, avançou para a pista de encontro a ela sem que nunca quebrassem o contacto visual. Encostou o corpo ao dela ao mesmo tempo que ela se virava de costas para si. Sofia continuou a dança e começou a provocá-lo com movimentos deslizantes. Ele sentiu-se completamente excitado com aquele jogo e, se por um lado queria levá-la para onde pudesse dar largas ao desejo que sentia, por outro queria saborear aquele momento o máximo de tempo possível.
Continuaram naquele jogo de movimentos ritmados, ela provocando-lhe um desejo cada vez maior e ele deixando-se subjugar pelo poder que Sofia demonstrava ter sobre ele.
Sentia-lhe o cheiro do cabelo e, num acto quase reflexivo, agarrou-lhe o cabelo por trás enquanto a beijava no pescoço.
Não conseguindo aguentar mais, rodou-a e tomou-lhe a boca de forma possessiva e exigente. Queria sentir-lhe o gosto, queria prová-la… não, queria saboreá-la até ao mais ínfimo pormenor do seu sabor. E saboreou-a. E ela deixou-se saborear ao mesmo tempo que, também ela, se deliciava.

Demasiadamente rápido os lábios dela separaram-se dos seus e, sem qualquer satisfação, Sofia deixou- o sozinho na pista. Entre encontrões seguiu-a até ao exterior da discoteca.
- Espera. – disse-lhe enquanto a agarrava pelo braço
- Acho que o tempo que esperei ontem foi mais que suficiente.
- Desculpa. Surgiu-me um imprevisto que me impediu de ir. Mas acredita que era o que mais queria. É o que mais quero neste momento. – Não quis inventar desculpas.
Ela olhou para ele como que a inspeccionar a veracidade das palavras que tinha dito.
- Escuta – dizia-lhe agora num tom menos frio – não me deves explicações e nem eu tas quero cobrar. Mas não cometas o erro de pensar que sou uma das tuas meninas à tua disposição.
- Não o pensei nem por um segundo.
No preciso momento em que lhe ia provar o quanto precisava dela um homem interrompeu-os.
- Está tudo bem? – disse enquanto olhava para ela.
Rafael sentiu uma vontade visceral de o esmurrar. Era o mesmo tipo que a acompanhava na pista e olhava para ela de uma forma possessiva que não agradou em nada a Rafael.
- Sim, tudo óptimo – Sofia respondeu ao homem apesar de continuar a olhá-lo nos olhos – Boa noite Rafael.

Quis travá-la mas o orgulho impediu-o. Respirou fundo enquanto ela se afastava e sentiu uma fúria ilógica apoderar-se de si. Tinha vontade de bater nalguma coisa.

Mas acima de tudo tinha vontade de estar com ela. Mais vontade do que queria admitir.

Recomendações

Vestimo-nos a preceito para a noite que se adivinhava fabulosa. Eu vesti os minicalções brancos que ele me ofereceu especialmente para usar nessa noite, e que me evidenciam o tom dourado das pernas, e o top em cetim azulão juntamente com os saltos altos que ele adora e sem os quais não posso passar. Ele, por sua vez, colocou a camisa que lhe faz sobressair o corpo bem definido e deixou a barba rala que lhe dá aquele ar sexy ao qual eu não resisto.


Rumámos então para um jantar a dois num ambiente simplesmente relaxante, calmo e sofisticado.



Um menu requintado, com muito sabor e muita originalidade e um atendimento simpático e cordial é o que se pode encontrar no Alma. Nós rendemo-nos ao espaço e deixamo-nos levar no êxtase de paladares enquanto saboreávamos um Alento fresquinho na noite quente.

Primo Moduli - Capitulo 7

(continuação daqui)


Tentava respirar mas não conseguia, tentava ganhar coragem para quebrar o beijo mas a capacidade de discernimento havia ficado do lado de fora da porta daquele apartamento.

Sentia a cabeça a rodopiar, sentia o chão fugir-lhe debaixo dos pés. Mas a necessidade que lhe crescia no corpo suplantava qualquer senso de dever ou obrigação.
Nuno beijava-a de forma calma e apaixonada, como há muito não era beijada. E ela deixava-se levar nessa percepção de que os problemas não eram reais, que era apenas uma mulher que se entregava à paixão desenfreada por um homem que por acaso sentia o mesmo por si.
Lembrou-se subitamente, como uma ideia completamente despropositada, de que nunca havia estado com homem nenhum para além de Jorge. Inconscientemente quebrou o beijo.
- Por favor, não te arrependas agora. – disse-lhe Nuno enquanto encostava a testa à sua.
Ela riu-se.
- Acho que já passei essa fase há algum tempo. Não é arrependimento… é…
Não conseguiu acabar a frase, sentia-se embaraçada, tal qual uma adolescente na sua primeira vez.
Nuno agarrou-lhe a face com as duas mãos e olhou-a nos olhos – Seja o que for que te preocupa, esquece. Esperámos demasiado tempo por isto. Agora não há volta atrás.

Disse-o como um facto que não poderia ser contestado ou alterado e isso deu-lhe uma firmeza interior que não reconhecia.
Inclinou-se de novo para os lábios dele, desta vez disposta a acabar aquilo que começara. Sem espaço para hesitações ou inseguranças.

Aos beijos seguiram-se as caricias, os toques íntimos, o descobrimentos de corpos. Não havia pressas e muito menos obrigações, mas desejo. E há quanto tempo ela não fazia amor sentindo e fazendo sentir aquele desejo.
As roupas caíram no chão, os corpos encaixaram-se e Isabel sentiu-se, ainda que por momentos breves, verdadeiramente feliz.

Depois de um êxtase intenso, enroscaram-se no sofá. Ele beijava-a ternamente enquanto lhe acariciava o cabelo e ela não podia deixar de comparar aquele momento com os momentos vazios que sempre sentira no depois com Jorge.
Inspirou fundo, com uma sensação de alivio. Havia temido que a culpa a assaltasse depois de um acto destes, mas invés disso sentia uma liberdade que a permitia respirar muito melhor agora.

Pela primeira vez desde que entrara em sua casa nessa tarde pensou que talvez o divórcio não fosse assim tão mau.

Pela primeira vez desde há muito sentiu-se uma mulher ao invés de mãe e esposa.

(Continua... Aqui)


(Uma parceria by Louise & Ulisses)
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