Encontros Casuais - Part V



Abriu a garrafa gelada da Vinha da Defesa. Preferia vinho tinto, mas a noite estava demasiado quente e precisava de refrescar-se. Reparou que ela apenas molhava os lábios quando lhes encostava o copo. Não falaram de si nem das suas vidas. Falaram de cinema e livros, tinham gostos semelhantes. Ela era uma boa companhia de conversa. Inteligente e pragmática, características que lhe agradavam. Não que fossem requisitos imprescindíveis, mas gostava de estar com mulheres que não fossem exclusivamente atraentes.

Ela caminhou para o terraço e ele ficou por momentos a saborear as formas dela. Vê-la de costas de calças de ganga justas deixou-o quase doido de impaciência. Bebeu o resto do vinho que tinha no copo de um trago e reabasteceu-se antes de a seguir.
Aproximou-se dela por trás e encostou-lhe o copo no braço desnudo. Ela soltou um gemido leve e ele sentiu a excitação apoderar-se do seu corpo. – uhm… sabe bem o toque gelado – disse-lhe quase num sussurro.
Ela voltou-se para ele e debaixo da luz fraca a sua expressão era quase enigmática, como se ali houvesse um qualquer segredo escondido que ele simplesmente não conseguia deslindar. Tentou ler-lhe os olhos, tentou decifrar-lhe os pensamentos inerentes ao seu inaudível pedido. Desejou saber mais, desejou conhecê-la... desejou algo que não queria, que não se permitia desejar.

Sofia levou o copo à boca mais uma vez e ele observou o movimento sem se mexer. A música leve e relaxante que tinha colocado a tocar ouvia-se em fundo e, muito suavemente, ela começou a mover o corpo no mesmo ritmo enquanto fechava os olhos e deixava cair a cabeça para trás. Reflexivamente Rafael pegou-lhe na cintura com uma mão e encostou ambos os corpos enquanto se entregavam numa dança sensual e suave ausente de quaisquer condições ou exigências. O perfume dela estava a inebriá-lo, os movimentos da sua cintura debaixo do seu toque toldavam-lhe o raciocínio, a música despertava-lhe os sentidos de uma forma quase exasperante.
Ela moldava-se contra ele e ele não lhe escondia a necessidade que ia crescendo dentro de si de a ter mais perto... muito mais perto.
Pousou o copo e levou a mão por trás do pescoço dela obrigando-a a olhar para si. Os olhos fundiram-se num reconhecimento de necessidades mútuas que não queriam, não podiam ser restringidas. Não precisaram de trocar quaisquer palavras, compreenderam-se de uma forma que o assustou por momentos.
Beijou-a de forma ávida e dominante. E ela entregou-se-lhe, numa oferenda total e ausente de qualquer timidez ou embaraço.
Continuando os movimentos de dança calma virou-se de costas contra si, Rafael beijou-lhe o pescoço e seguiu pelo ombro desviando a alça do top. Encurralou-a entre si e o beiral da varanda e fez-lhe sentir o desejo cada vez mais urgente.
As suas ancas provocavam-no sem misericórdia, ele desceu as mãos pelos contornos de Sofia e vagarosamente deixou-se saborear a ondulação do seu corpo.
Continuaram aquela dança magnética e inebriante e ela colocou as mãos por trás de si, entre os corpos de ambos, num requerimento à sua libertação. Rafael não se conseguia controlar muito mais – Quero-te Sofia! – disse-lhe num tom rouco e grave que não deixava dúvidas quanto à exigência que abarcava.
Voltou-a para si novamente e enquanto a beijava guiou-a para uma das espreguiçadeiras em verga que se encontravam no terraço, sem nunca se descolarem, deitou-a.
As respirações tornaram-se mais profundas, mais exigentes, mais ofegantes. A música continuava a tocar e eles deixaram-se levar no mesmo ritmo, calmo... sereno... saboreando os detalhes dos sons e dos movimentos. Ela movia-se de uma forma dolorosamente voluptuosa, dando-lhe a sentir cada parte do seu corpo quente, e os seus gemidos suaves diziam-lhe tudo aquilo que precisava ouvir.

Era o momento mais erótico que Rafael se recordava já ter tido e perguntou-se se também o seria para ela. Quebrou o beijo e procurou-lhe os olhos, enquanto as suas mãos a descobriam, e não tardou a perceber que ela partilhava das sensações que ele próprio sentia naquele preciso momento.
Ela arqueou as costas e lançou a cabeça para trás de uma forma que o levou praticamente à loucura. Envolveram os corpos numa necessidade contínua… fundiram-se no calor da noite e do momento enquanto se expunham reciprocamente… deixaram-se levar numa onda de prazer lasciva e imperativa.
Olharam-se nos olhos e explodiram ambos num frenesim de sensações que os assomou de uma forma reveladora e intensa.

Rafael abraçou-a, aninhado contra as costas dela, sem conseguir perceber muito bem o que tinha acabado de acontecer. Não conhecia esta mulher de lado nenhum e no entanto partilhara com ela uma intimidade que nunca partilhara com ninguém, nem mesmo com a ex-mulher.
Ao contrário do que acontecia normalmente, não quis que ela saísse no escuro da noite. Quis que ela ficasse ali com ele.

Pela primeira vez em muito tempo, não se sentia completamente só.

10 Diabruras:

Vera, a Loira disse...

Adorei. Adoro a forma como escreves e esta história prende-me cada vez mais.

Beijinho.

Ulisses disse...

Continuo envolvido pela cadencia das palavras.

Quero mais.

:)

Rafeiro Perfumado disse...

Encostar algo gelado a uma mulher quando se está no terraço é muito arriscado. Imagina que a jove se assustava a sério e pulava?

MRPereira disse...

Bem, a coisa tá a aquecer!

E eu tou a gostar!

Até da Vinha da Defesa. O menino tem gostos requintados!!!!

(Eu também prefiro vinho tinto, mas esse leva-me à loucura!)

Kiss

sofia disse...

Muito bem.
E olha que escrever uma cena de amor não é nada fácil. Saíste-te muito bem!
Bj

Louise disse...

Vera, obrigada :) A história ainda mal começou...

Ulisses, seja feita a tua vontade ;)

Rafeiro Perfumado, estava mesmo à espera de ver qual seria a tua deixa nesta parte da história :P E a jove só se atirava da janela se não estivesse muito interessada no que se seguiria...

MRPereira, o vinho brano da vinha da Defesa foi escolhido apenas porque é um dos meus vinhos de eleição.

sofia, obrigada. Embalada pela música as palavras fluiram muito naturalmente.

Martini Bianco disse...

"Ela movia-se de uma forma dolorosamente voluptuosa, dando-lhe a sentir cada parte do seu corpo quente, e os seus gemidos suaves diziam-lhe tudo aquilo que precisava ouvir."

Sublime! Chega a ser torturante o que ambos passam... mas é tortura das que ficarão na memória :)

Vontade de disse...

Essa química que leva a uma intimidade inexplicável... tão rara e tão boa. :)

Ro disse...

Bela reflexão ..
o blog TODO é um conto de fadas que prende do início ao fim ...

bj

Curiosa disse...

Gostei dessa parceria com o Ulisses .
Vocês se dãomuito bem juntos ...

Gostei do teu espaço ...
Gostoso te ler ...

bj

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Agradeço desde já tudo* aquilo que o diabo dentro de ti possa ter para dizer...

*excepto tudo aquilo que o diabo dentro de mim não concordar

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