Encontros Casuais - Part IX



Uma parte de si dizia-lhe que não merecia o esforço. Uma outra, com muito mais peso, incitava-o a ir.


Queria estar com ela contra todo o bom senso que julgara ter. Afinal, ela estava com outra pessoa. Estaria mesmo? Ou seria apenas um amigo?... Pois, um amigo. Nenhum homem se contentaria em ser apenas amigo de Sofia.
Mas a escolha estava do lado dela. Pedira-lhe desculpas e se ela optava por não as aceitar era um problema seu. De qualquer forma nada daquilo fazia sentido para ele. Porque raio estava obcecado por uma mulher? Mulheres não lhe faltavam e se havia coisa que Rafael não procurava e não queria, de todo, era prender-se numa relação com alguém.

Infelizmente a lógica e o bom senso resolveram abandoná-lo naquela noite e, num acto irreflectido, Rafael correu atrás dela.
Apanhou-a no momento em que estava prestes a entrar no carro.
- Sei que fiz merda, mas dá-me uma oportunidade. Não entres no carro.
Sentiu-a inspirar fundo e pensou que o ia descartar mais uma vez. Em vez disso, largou a porta do carro e falou para o homem que se encontrava do outro lado.
- André, eu fico, vai sem mim.
- Tens a certeza?
- Sim, não te preocupes que fico bem.
Sofia voltou-se para Rafael enquanto o tipo entrava no carro.
- Onde tens o carro?
- Por aqui. – Disse enquanto a guiava para o lado oposto ao que se encontravam.

Não trocaram qualquer palavra e Rafael conduziu o carro até ao guincho. Estacionou na escuridão em frente ao mar. Assim que desligou o motor, Sofia desapertou ambos os cintos de segurança e inclinou-se para ele.

Rafael sentiu um desejo louco de se meter dentro dela e, erguendo a mão para o seu pescoço, puxou-lhe a boca contra a sua. Beijou-a sofregamente e à medida que o beijo se tornou mais apressado Sofia transferiu o seu corpo de forma a ficar sentada por cima dele.
Rafael sentia uma necessidade voraz de fazer amor com ela. Todo o seu corpo, todo o seu ser gritavam para que a tomasse de forma inquestionável. Era quase como se não conseguisse controlar aquilo que sentia, como se um lado menos correcto de si estivesse a ganhar poder sobre as suas acções.
Queria parar, queria pensar no porquê de se sentir tão descontrolado e fora de si quando estava com ela. Mas não conseguia parar… não queria sequer pensar em parar agora.
Olhou para o rosto dela, Sofia inclinava a cabeça para trás e fechava os olhos, e por um breve momento sentiu-se angustiado. Beijou-lhe a base do pescoço e deixou-se perder na pele suave e quente dela.
Os corpos ansiavam com premência, Sofia encostou o rosto ao dele e sussurrou-lhe ao ouvido o seu nome. Quase perdeu o controlo, tomou-a de forma dominante, agarrou-a ainda mais contra si e guiou-os a ambos num trajecto cujo rumo era a loucura e a insanidade… e ele sentia-se louco… insano… perdido…

Sentiu-a perder-se no limbo do inconsciente e seguiu-a sem, também ele, poder esperar mais.

Abraçaram-se sem dizer uma palavra. Não precisavam de o fazer, compreendiam-se de uma forma total através daquele diálogo.

E com tanta força como com a que a desejava, sentiu o medo instalar-se-lhe no peito.

6 Diabruras:

MRPereira disse...

E o que haverá para ter medo? Bolas pá... Tinhas de escrever isto só uma vez por semana? Agora vou ficar aqui em pulgas... :)

Excelente história, Louise. Mas de ti não se esperava outra coisa!

Kiss kiss

Roxanne disse...

quando queremos/desejamos/precisamos, assim tanto de alguém, o medo de perder é quase tão grande como o desejo de ter...

Ulisses disse...

Eis algo que também fiz bastantes vezes...

...Guincho, ao pé do farol, à noite...

Como se não bastassem os sentimentos, o proprio sitio parece calar as palavras...

:)

Vera, a Loira disse...

Pois... o medo...

Adorei. Quando acabo de ler fico sempre ansiosa por o próximo.

Sofia disse...

E o que virá aí?
Olhe que esta Sofia tem muito que se lhe diga:)
Bj

Martini Bianco disse...

Envolvente. Libidinoso. Viciante. Foi dos capítulos que mais gostei até hoje :)

E mais uma vez a praia do guincho como cenário. É das minhas preferidas, por ser bastante reservada. Tem todos os ingredientes para uma história dessas se passar ali :)

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Agradeço desde já tudo* aquilo que o diabo dentro de ti possa ter para dizer...

*excepto tudo aquilo que o diabo dentro de mim não concordar

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