Primo Moduli - Capitulo 5

(continuação daqui)

Vários minutos se passaram até ganhar coragem para sair do carro. Caminhava pesada e ponderadamente, um pé depois do outro, um passo após o anterior. Nem sabia bem se era uma luta que travava no seu íntimo ou se apenas tentava compreender tudo o que estava a acontecer à sua volta. Depois da turbulência de sentimentos, sentia-se calma agora.
… ele, provavelmente, conhece-te melhor do que eu…” tinha-lhe dito Jorge. Nem queria acreditar nessa possibilidade. Acreditaria ele mesmo nisso? Mas porquê? Era esse o crédito que lhe dava? Que razões lhe dera para que desconfiasse de uma traição?

Parou em frente à porta do prédio. Ponderou se era a atitude correcta estar ali, ou se devia voltar para trás.
Inspirou fundo e olhou para a tecla da campainha do andar dele. Voltou a inspirar fundo e pressionou a tecla. Esperou breves momentos e, sem que ninguém dissesse nada, a porta abriu-se.

Subiu relutantemente até ao 3º piso e, por cada degrau que pisava, o sentimento de dúvida crescia dentro de si. Mas não fora forte o suficiente para a fazer voltar para trás. Olhou para a porta entreaberta e decidiu que era o que queria, que era o que precisava.
Entrou e olhou em redor. Ele estava encostado, de braços cruzados, à ombreira da porta de uma das divisões.
- Apesar de querer muito, nunca pensei que algum dia te visse a entrar nessa porta. Não sem ele contigo. – disse-lhe.
- Pois… nem eu.
Observou Nuno a dirigir-se a si e a fechar a porta.
- Anda. Vamos sentar-nos e conversar.

Encaminhou-a para a sala, ela sentou-se no sofá e ele a seu lado.
- O Jorge vai deixar-me. Acho que pensa que tenho um amante. – observou a expressão de espanto de Nuno – Nem sequer discutimos. Cheguei a casa e ele entregou-me uma carta onde dizia que já não suporta a vida que tem. Que está farto da fachada que o nosso casamento é.

As lágrimas ameaçavam irromper de novo mas obrigou-se a controlá-las.
Sentiu a mão de Nuno por cima da sua e aquele toque fê-la vibrar. Por momentos sentiu-se como se o resto dos problemas não existissem e voltou a ser a adolescente tímida e apreensiva de há muito tempo atrás.

Por vários meses tentara reprimir e ignorar a atracção que sentia por Nuno. Já ele nunca lhe escondera o interesse que sentia por ela, e Isabel sabia que no fundo ser alvo dessa atenção era um dos motivos para sentir o que sentia. Afinal Jorge há muito que deixara de a elogiar, de a fazer sentir uma mulher atraente.
Ambos tinham optado por se distanciar com receio de cederem a um pecado demasiado sórdido e cruel. Nuno era tão somente o melhor amigo de Jorge.

E agora ali estavam eles. Sozinhos e com muito pouco que lhes impedisse as intenções. Ele aproximou-se dela e Isabel sentiu o coração disparar.

Queria mas não queria. Desejava mas sentia culpa. Precisava mas tinha receio. Apetecia-lhe gritar e chorar, mas esses sentimentos ficaram-lhe presos na garganta e sentiu-se como um animal preso numa armadilha. O que raio queria afinal? O que fora ali procurar?

A sua mente silenciou-se de forma abrupta assim que os lábios de Nuno tocaram os seus. E ela deixou-se ir naquele contacto intimo e proibido que a prometia fazer esquecer o resto.

E ela queria, precisava esquecer.
(Continua... Aqui)


(Uma parceria by Louise & Ulisses)

4 Diabruras:

Vera, a Loira disse...

Emocionante. Os desejos e as dúvidas. Fico ansiosa pela continuação do Ulisses.

Beijinho

Vontade de disse...

Precisar, não precisava...mas acredito que quisesse. :D

Sofia disse...

Acho que agora o Ulisses vai acabar com a festa:) Só para nos contrariar? Será?
Bom fim-de-semana

Rafeiro Perfumado disse...

Ainda estou abismado é com a cena de andar um pé a seguir ao outro...

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Agradeço desde já tudo* aquilo que o diabo dentro de ti possa ter para dizer...

*excepto tudo aquilo que o diabo dentro de mim não concordar

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