Primo Moduli - Capitulo 7

(continuação daqui)


Tentava respirar mas não conseguia, tentava ganhar coragem para quebrar o beijo mas a capacidade de discernimento havia ficado do lado de fora da porta daquele apartamento.

Sentia a cabeça a rodopiar, sentia o chão fugir-lhe debaixo dos pés. Mas a necessidade que lhe crescia no corpo suplantava qualquer senso de dever ou obrigação.
Nuno beijava-a de forma calma e apaixonada, como há muito não era beijada. E ela deixava-se levar nessa percepção de que os problemas não eram reais, que era apenas uma mulher que se entregava à paixão desenfreada por um homem que por acaso sentia o mesmo por si.
Lembrou-se subitamente, como uma ideia completamente despropositada, de que nunca havia estado com homem nenhum para além de Jorge. Inconscientemente quebrou o beijo.
- Por favor, não te arrependas agora. – disse-lhe Nuno enquanto encostava a testa à sua.
Ela riu-se.
- Acho que já passei essa fase há algum tempo. Não é arrependimento… é…
Não conseguiu acabar a frase, sentia-se embaraçada, tal qual uma adolescente na sua primeira vez.
Nuno agarrou-lhe a face com as duas mãos e olhou-a nos olhos – Seja o que for que te preocupa, esquece. Esperámos demasiado tempo por isto. Agora não há volta atrás.

Disse-o como um facto que não poderia ser contestado ou alterado e isso deu-lhe uma firmeza interior que não reconhecia.
Inclinou-se de novo para os lábios dele, desta vez disposta a acabar aquilo que começara. Sem espaço para hesitações ou inseguranças.

Aos beijos seguiram-se as caricias, os toques íntimos, o descobrimentos de corpos. Não havia pressas e muito menos obrigações, mas desejo. E há quanto tempo ela não fazia amor sentindo e fazendo sentir aquele desejo.
As roupas caíram no chão, os corpos encaixaram-se e Isabel sentiu-se, ainda que por momentos breves, verdadeiramente feliz.

Depois de um êxtase intenso, enroscaram-se no sofá. Ele beijava-a ternamente enquanto lhe acariciava o cabelo e ela não podia deixar de comparar aquele momento com os momentos vazios que sempre sentira no depois com Jorge.
Inspirou fundo, com uma sensação de alivio. Havia temido que a culpa a assaltasse depois de um acto destes, mas invés disso sentia uma liberdade que a permitia respirar muito melhor agora.

Pela primeira vez desde que entrara em sua casa nessa tarde pensou que talvez o divórcio não fosse assim tão mau.

Pela primeira vez desde há muito sentiu-se uma mulher ao invés de mãe e esposa.

(Continua... Aqui)


(Uma parceria by Louise & Ulisses)

6 Diabruras:

Rafeiro Perfumado disse...

A cabeça a andar à roda era, sem dúvida, consequência da pouca oxigenação do cérebro...

Vontade de disse...

Infelizmente com o passar do tempo a chama apaga-se... e é bom que alguém nos faça sentir de novo vivas.

Vera, a Loira disse...

"E há quanto tempo ela não fazia amor sentindo"

Adorei.

MRPereira disse...

às vezes é preciso aparecer uma pessoa nova na nossa vida para ela realmente voltar a fazer sentido...

Purple disse...

Ser só mãe e esposa não chega, é demasiado castrador. Uma mulher deve ser desejada como tal.

carpe vitam! disse...

http://aluxuriadeulisses.blogspot.com/2010/07/primo-moduli-capitulo-8_20.html
não é por nada, a não ser por uma questão de ritmo. como vocês nos fazem saltitar alternadamente entre um blog e outro, será muito conveniente para os leitores tardios como eu que os links estejam correctos.

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Agradeço desde já tudo* aquilo que o diabo dentro de ti possa ter para dizer...

*excepto tudo aquilo que o diabo dentro de mim não concordar

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